Inovação pedagógica e inclusão na Escola: a estratégia transdisciplinar do clube de Teatro turma 3
Apresentação
A escola, como comunidade de aprendizagem, deve promover o acesso à apropriação das diferentes linguagens e expressões artísticas, contribuindo para o desenvolvimento das inteligências múltiplas e diversos modos de expressão pessoal e compreensão do mundo. As artes e, particularmente, o Teatro, permitem encontrar outros códigos que complementam aqueles que tornámos centrais na nossa sociedade. Racionalizámos em demasia a educação/instrução, não promovendo suficientemente a formação dos afetos, a relação com o corpo, a valorização da autonomia, a capacitação para assumir os desafios e os falhanços, o prazer de aprender, de interpretar e intervir no mundo. É preciso educar e formar para as diversas linguagens, inteligências e modos de comunicar. Nem todos se enquadram na predominante, a da racionalidade lógico-verbal. Esses sentem-se excluídos e poderão encontrar no Clube de Teatro o seu meio e o seu elemento, um caminho para a sua realização pessoal e participação no bem comum e, simultaneamente, desenvolver as competências enunciadas no PASEO. Dessa forma, poderá, ainda, desenvolver-se o sentido de pertença de cada um à comunidade que a escola pretende ser. Esta ação integra-se no plano de formação CFAE Guilhermina Suggia, e do Teatro Nacional S. João em parceria com o Plano Nacional das Artes.
Destinatários
Educadores de Infância, Professores dos Ensinos Básico e Secundário, Professores do Ensino Especial e Professores das Tecnologias Especiais
Releva
Para os efeitos previstos no n.º 1 do artigo 8.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente ação releva para efeitos de progressão em carreira de Educadores de Infância, Professores dos Ensinos Básico e Secundário, Professores do Ensino Especial e Professores das Tecnologias Especiais. Para efeitos de aplicação do artigo 9.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores (dimensão científica e pedagógica), a presente ação não releva para efeitos de progressão em carreira.
Objetivos
- Assumir o Clube de Teatro na escola enquanto laboratório de inovação pedagógica; - Garantir espaço para a escuta e voz dos alunos, - Criar situações que promovam a sensibilidade de se colocar no lugar do outro (empatia e compaixão); - Potenciar processos de experimentação e fruição artística, tendo em vista o desenvolvimento de diversas áreas de competências do Perfil dos Alunos à saída da escolaridade obrigatória: consciência e domínio do corpo; linguagens e textos; comunicação; pensamento crítico e criativo; resolução de problemas; saber técnico; relacionamento interpessoal; autonomia e desenvolvimento pessoal e sensibilidade estética e artística; - Empoderar os docentes para a criação e dinamização de clubes de teatro nas suas escolas, de modo enquadrado na política educativa vigente; -Desenvolver competências técnicas facilitadoras de um conjunto de metodologias e exercícios que lhes permitam ter a confiança necessária para trabalhar com os alunos neste âmbito.
Conteúdos
Sessões presenciais: 21 de outubro - 6 horas, 04 e 11 de novembro - 6 horas, 18 de novembro - 7 horas Total 25h. 1asessão (6 horas): Vou ao teatro ver o mundo: o Teatro na construção da pessoa. Nesta sessão será feita uma contextualização teórica do Teatro à luz da legislação vigente para a Educação, abordando o seu potencial transformador e desenvolvedor das dez áreas de competência do Perfil dos Alunos à saída da Escolaridade Obrigatória, o seu contributo para a visão da Escola como um polo cultural, e o seu papel para a abordagem transdisciplinar do currículo, na assunção da importância da natureza transdisciplinar das aprendizagens, da mobilização de literacias diversas, de múltiplas competências, teóricas e práticas, promovendo o conhecimento científico, a curiosidade intelectual, o espírito crítico e interventivo, a criatividade e o trabalho colaborativo. Experimentar-se-ão, ainda, práticas artísticas de potencial aplicação na docência, indutoras de uma abordagem multinível. 2ª sessão (6 horas): A voz dos alunos: o Clube de Teatro como laboratório de inovação pedagógica Nesta sessão serão experimentadas as estratégias que permitirão aos docentes obter ferramentas para a implementação da inovação pedagógica, com uma tónica nas metodologias de trabalho de projeto, em exercícios que incentivam a participação e a vinculação, em estratégias inclusivas, que promovem a igualdade e a não discriminação, cuja diversidade, flexibilidade, inovação e personalização respondem à heterogeneidade dos alunos, dando-lhes voz, e eliminando obstáculos e estereótipos no acesso ao currículo e às aprendizagens. 3ª sessão (6 horas): Práticas artísticas na Escola: o Teatro como meio de empoderamento. Nesta sessão explorar-se-ão as formas como as práticas artísticas podem empoderar docentes e alunos, quer a um nível das competências de expressão e comunicação, quer ao nível do estímulo do pensamento crítico e criativo e da sensibilidade estética e artística. Trabalhar-se-ão conceitos como: Respiração; Partilha; Escuta ativa; Colaboração; Ritual; Corpo; Voz; Comunicação; Foco; Atenção; Dramaturgia; Performance; Instalação; Resposta Criativa. 4a Sessão (7 horas): E agora? Perspetivas para o futuro. Nesta sessão preparar-se-á um trabalho para avaliação e a respetiva apresentação. Far-se-á também uma reflexão sobre a operacionalização destas estratégias na escola, e os mecanismos legais em que elas se inserem. No final, haverá lugar à avaliação da formação.
Metodologias
Contextualização teórica com suporte visual; Metodologia participativa e ativa com dinâmicas de grupo; Aprendizagem a partir da experiência, da prática, da reflexão e do team building; Experimentação prática; Trabalho de projeto com apresentação final.
Avaliação
Formativa e continua, através da participação, trabalho em equipa e pensamento critico nos exercícios realizados. -Metodologias ativas, tais como trabalho de grupo. -Elaboração de um documento final de reflexão individual sobre a experiência pessoal derivada da participação na ação e implicações na sua prática. -Autoavaliação individual e grupal do processo, autonomia, desempenho e do produto final. A avaliação obedecerá aos critérios estabelecidos pelo Centro de Formação, de acordo com orientações emanadas do Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua. A avaliação será de carácter quantitativo, na escala de 1 a 10 valores.
Bibliografia
BROOK, Peter (2008). O Espaço Vazio; Lisboa: Orfeu NegroSPOLIN, Viola. (2007). Jogos teatrais na sala de aula: um manual para o professor. Tradução de Ingrid Koudela. São Paulo: Perspectiva.SPOLIN, Viola. (2001). Jogos Teatrais: O Fichário de Viola Spolin. Tradução: Ingrid Koudela. São Paulo: Perspectiva.BOAL, Augusto. (2001). Jogos para atores e não-atores. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.PAVIS, P. (2005). Dicionário de Teatro. Tradução para língua portuguesa sob a direcção de J. Guinsburg e Maria Lúcia Pereira. São Paulo: Perspectiva.
Anexo(s)
Formador
Maria Joana de Melo Ferreira Félix